Tenho mania de me apegar a pequenos objetos. Não necessariamente presentes, mas objetos que me lembrem pessoas. Objetos que eu mesmo dou um significado maior do que realmente possuem, porque designo a eles o carinho que designei àquela pessoa.
Certa vez, saí com uma antiga paixão e tomamos um inesquecível porre de vinho. Eu sabia que era a última vez que nos veríamos, e exatamente por isso, fiz questão de guardar a rolha do vinho. Eu era completamente apaixonado por aquele garota e já que sabia que não poderia tê-la, por falta de vontade da mesma, eu pelo menos tinha a rolha da última vez que nos vimos.
Era um objeto ridículo, inútil, mas como eu não podia jogar a guria dentro do bolso e guardá-la pra mim até quando eu quisesse, pelo menos eu podia fazer isso com a rolha. Aquele objeto me lembrava não só daquele dia, mas de todos que tive com ela e que nunca mais teria novamente. Guardar a rolha não simbolizava um dia específico, simbolizava toda uma relação já afundada e dolorosa mas que eu ainda me apegava e recusava a me desfazer, como ótimo exemplar de homem masoquista que sou.
Por motivos óbvios de manter a imagem de pessoa sã e equilibrada, ela nunca soube que eu peguei a rolha. Esperei ela ir ao banheiro e então taquei a rolha bolso a dentro. Ela não teve essa oportunidade de comprovar o quão louco eu sou, voltou pra mesa e lá estava eu: com um sorriso no rosto, e aparentemente bêbado; mas creio que se tivesse visto, teria fugido de mim da mesma forma como eu mesmo queria fugir naquele momento.
Recentemente achei essa rolha dentro de uma gaveta. Diferente das outras vezes em que acidentalmente a encontrei e a deixei no mesmo lugar, dessa vez foi diferente. Aquela força que me impedia de jogá-la fora não existia mais, joguei no lixo mais próximo. Triste fim para a rolha, um bonito recomeço para mim =)













