Tenho mania de me apegar a pequenos objetos. Não necessariamente presentes, mas objetos que me lembrem pessoas. Objetos que eu mesmo dou um significado maior do que realmente possuem, porque designo a eles o carinho que designei àquela pessoa.

Certa vez, saí com uma antiga paixão e tomamos um inesquecível porre de vinho. Eu sabia que era a última vez que nos veríamos, e exatamente por isso, fiz questão de guardar a rolha do vinho. Eu era completamente apaixonado por aquele garota e já que sabia que não poderia tê-la, por falta de vontade da mesma, eu pelo menos tinha a rolha da última vez que nos vimos.

Era um objeto ridículo, inútil, mas como eu não podia jogar a guria dentro do bolso e guardá-la pra mim até quando eu quisesse, pelo menos eu podia fazer isso com a rolha. Aquele objeto me lembrava não só daquele dia, mas de todos que tive com ela e que nunca mais teria novamente. Guardar a rolha não simbolizava um dia específico, simbolizava toda uma relação já afundada e dolorosa mas que eu ainda me apegava e recusava a me desfazer, como ótimo exemplar de homem masoquista que sou.

Por motivos óbvios de manter a imagem de pessoa sã e equilibrada, ela nunca soube que eu peguei a rolha. Esperei ela ir ao banheiro e então taquei a rolha bolso a dentro. Ela não teve essa oportunidade de comprovar o quão louco eu sou, voltou pra mesa e lá estava eu:  com um sorriso no rosto,  e aparentemente bêbado; mas creio que se tivesse visto, teria fugido de mim da mesma forma como eu mesmo queria fugir naquele momento.

Recentemente achei essa rolha dentro de uma gaveta. Diferente das outras vezes em que acidentalmente a encontrei e a deixei no mesmo lugar, dessa vez foi diferente. Aquela força que me impedia de jogá-la fora não existia mais, joguei no lixo mais próximo. Triste fim para a rolha, um bonito recomeço para mim =)

Tenho reencontrado parte de minha vida, nos amigos espalhados pelo mundo, lembranças que me montaram um dia naquilo que sou hoje. É bom parar o tempo, nas malhas das lembranças, porque somos só isso, desejo e saudade.

Prefiro ser louco,

Prefiro ter sal,
Prefiro surtar,
A ter que ser normal.

Prefiro ser passional,
Prefiro ser poético,
A ter um olhar tão convencional.

Prefiro ser intenso,
Prefiro ser estranho,
A ter que relegar meus melhores sonhos.

Prefiro minhas angustias,
Prefiro minha intuição,
A ser colocado no molde da razão.

Prefiro os traços bem delineados,
Do que ser do clube dos alienados.

 (Alexandre Fiuza)

Houve época em que acreditei que a pior característica de um ser humano fosse a covardia. Digo houve época, não porque desconsidero a covardia como uma característica deplorável, mas porque creio hoje que na verdade o pior que alguém pode ser não é apenas ser covarde, mas sim se manter confortável em sua covardia. O pior covarde é aquele que admite e aceita sua condição. Porque o é duas vezes. Uma por simplesmente ser e outra por achar que pelo fato de estar admitindo, possui alguma licença ou desculpa para continuar sendo. Pior do que ser covarde, é ser duplamente covarde. A covardia vai além do medo, porque até para sentir medo é preciso coragem. A covardia é a cegueira de um orgulho ignorante, é quando o ego pesa, mas a consciência não. É acima de todas as definições a pior face do egoísmo. É difícil ter a vida invadida por um covarde, é difícil porque por mais que a sua bravura seja enorme, ela nunca será suficiente para conseguir amenizar a covardia da outra, e então o covarde fere a si mesmo, fere seus ideais e por fim fere a todos que o cercam. E não é apenas uma condição de personalidade, a covardia é uma falha no caráter. E diferente da ignorância e talvez da pobreza, dignas de pena e lamentação, por serem impostas, a covardia é uma escolha e como tal é feita sob total consciência. Um covarde tem total ciencia de sua covardia. O covarde prefere beber ácido sulfúrico no café da manha do que pedir desculpas pelos seus próprios erros. O ácido é mais fácil de digerir :}

Quero leveza… Quero ver a Verdade… Quero fluir rumo ao oceano…
Quero espontaneidade, descobrindo o Ser que habita em mim…
Quero viver intensamente essa vida, aprendendo com o que há de vir e com o que é agora…

 

 

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